Principal nome do colegiado que vai iniciar a análise acerca da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou ao O Estado CE, na tarde desta quinta-feira (2), que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ainda não havia liberado a discussão sobre o assunto na comissão e que o senador “tem um tempo dele”.
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Otto acrescentou que em razão da Semana Santa, iniciada nesta quinta, uma deliberação eventual sobre cronograma não se daria, considerando sobretudo que a mensagem de indicação foi enviada pelo presidente Lula (PT) na quarta-feira (1º).
“[Alcolumbre] não deu nenhuma informação, não falei com ele. Ele chegou ontem. Então, fim de semana, sexta-feira santa, ele só vai se pronunciar para a semana, quando ele chegar terça-feira no Senado”. Questionado sobre o cenário político interno do Senado como possível termômetro da pauta, o senador Otto Alencar preferiu não se manifestar”.
O parlamentar é aliado direto de Lula, em que pese o posicionamento de centro de sua legenda, PSD. Como presidente da CCJ, sua competência é conduzir a reunião do colegiado, momento em que os integrantes vão se manifestar se são favoráveis ou contrários ao advogado-geral da União ser aprovado e assim ver seu nome avançar para a votação secreta no plenário da Casa.
“Quando chega à CCJ [a mensagem], faço a leitura e dou um prazo de 8 a 15 dias, mas isso só vale a partir do momento em que estiver em minhas mãos. Meu prazo depende do dia em que Davi encaminhar à CCJ”, disse Otto Alencar à imprensa na última quarta.
No plenário, Messias precisa alcançar, pelo menos, 41 votos favoráveis para ocupar a vaga aberta pelo ex-presidente do STF, Luís Roberto Barroso, que optou por deixar o Supremo em meio às divergências geopolíticas entre Brasil e Estados Unidos.
Internamente, conflitos ocorreram em razão da recusa de Alcolumbre de facilitar o terreno para Lula e Messias: o senador amapaense se posicionou pela indicação do colega e ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB), parlamentar que está na mira de Lula para concorrer ao Governo de Minas Gerais em outubro.
Lula e Pacheco
Pacheco e Lula se aproximaram em 2022, quando antes do primeiro turno ensaiaram um diálogo de confluências, em meio ao comportamento, por parte de Pacheco, de resistência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desde a pandemia.
A relação harmônica entre Lula e Pacheco se tornou pública na iminência de Pacheco deixar a Presidência do Senado, no ano passado.
A amizade, contudo, não foi suficiente para que o presidente da República deixasse de lado a ideia de indicar Messias, que politicamente tem um perfil relevante a Lula: a possibilidade de aproximação do público evangélico, o que pode ser sincronizado ao fato de o Senado ter uma expressiva bancada conservadora, sobretudo considerando parlamentares do PL, mais numeroso partido da Casa, Republicanos e União Brasil, este agora parte da Federação União Progressista.


