Se consolidando cada vez mais como um dos principais destinos europeus para a organização de eventos, Lisboa foi escolhida há poucas semanas como o melhor destino MICE (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions) da Europa, prêmio focado no turismo de negócios. Ao todo, quase 600.000 participantes de todo o mundo participaram de eventos na capital portuguesa.
A VEJA, Patricia Marques Correia, diretora do Lisboa Convention Bureau, vinculado à Associação Turismo de Lisboa, explica como esse mercado vem dando resultados para a cidade e é uma tendência que veio para ficar.
Por que investir no turismo de negócios, e não no turismo “convencional”?
O turismo de lazer representa a maior fatia de visitantes em Lisboa. No entanto, o turismo de negócios tem um valor de gasto médio individual no destino superior ao gasto médio do turista de lazer. O segmento MICE atua em contraciclo e proporciona ainda que se captem eventos, durante todo o ano, com estadias médias mais longas, gerando receitas significativas em serviços de alto valor agregado, como hotéis de luxo, transporte e restaurantes diferenciados. Além disso, os eventos de negócios tendem a impulsionar o networking e o desenvolvimento econômico local, estabelecendo conexões duradouras para eventos futuros.
Quanto o segmento MICE (Meetings, Incentives, Conferences, and Exhibitions) contribui para as receitas de turismo da cidade?
O segmento MICE é um importante motor econômico do turismo e contribui para que se atinja cerca de 30 bilhões de euros de produção de riqueza por ano, ou seja, mais de 20% do PIB gerado em Lisboa . Este segmento gera receitas, tanto em alojamento, transportes, como nas infraestruturas para a realização de reuniões e ou de eventos, mas também em serviços turísticos e comércio local. Estudos mostram que os participantes do MICE gastam, em média, mais do que turistas de lazer, além de prolongarem a sua estadia na cidade, combinando o tempo da estadia com lazer.
Lisboa foi recentemente eleita Melhor Destino MICE da Europa, superando nomes como Londres e Paris. Qual o diferencial de Lisboa?
Lisboa é de fato única: pela sua localização estratégica, a combinação entre História e infraestruturas modernas, e pelo seu charme cultural. Estamos no 2º lugar do ranking da ICCA na Europa, com 151 eventos contabilizados .
Temos mantido o posicionamento desde 2019. Lisboa oferece excelentes ligações aéreas aos principais aeroportos internacionais, clima acolhedor e ameno, gastronomia e vinhos ricos e variados, infraestruturas com qualidade superior, adicionalmente a cidade tem pólos atractivos a menos de 1 hora do centro da cidade, temos a Arrábida, Cascais, Sintra, Ericeira, Mafra que enriquecem e diversificam a oferta e, dependendo da sua motivação e nas experiências que pretendem ter. A atratividade de Lisboa, os seus monumentos históricos, parques naturais, praias , a sustentabilidade e a segurança são pontos que cada vez mais são valorizados aquando da selecção do destino.
O Rio de Janeiro conquistou o prêmio similar só que para a América Latina. O que uma cidade pode aprender com a outra?
Lisboa e o Rio de Janeiro tem uma história juntas . Podem trocar experiências. Ambas podem compartilhar estratégias de valorização cultural e otimização de infraestruturas apesar da localização geográfica ser distinta e, por isso, também os mercados emissores poderem exigir táticas diferentes.
No contexto mais amplo do turismo, quem é o turista que chega a Portugal? E como os brasileiros se encaixam nisso?
Desde cerca de 2009 que Lisboa é a principal porta de entrada de turistas brasileiros na Europa. As boas acessibilidades têm sido fundamentais nesse posicionamento. O turista brasileiro tem diferentes perfis e motivações, desde amantes de cultura e história até entusiastas de natureza e gastronomia. É um mercado com ligações históricas profundas e afinidades únicas como, por exemplo, a língua portuguesa comum a ambos os países. Destacando-se, apelo interesse em experiências culturais autênticas, além de contribuírem significativamente para o setor de luxo e para a economia local, principalmente no turismo urbano e de longa duração.
6) Muitas cidades europeias vêm lidando com descontentamento com o turismo exacerbado. Como lidar com isso?
No caso de Lisboa , não há. Não há turismo desenfreado, não há turismo de massas e os residentes, na sua maioria, sabem que o turismo é essencial para o desenvolvimento, o emprego e a dinâmica cosmopolita que Lisboa apresenta. Aliás, o estudo que recentemente fizemos aos residentes sobre o assunto, revelou que maioritariamente os Lisboetas gostam do turismo. Mas isto não quer dizer que as instituições com responsabilidades não tenham de ter atenção e investir nas melhorias da qualidade de vida dos cidadãos . Na verdade , os centros históricos das cidades são os mais visitados e é nessas áreas que se faz sentir maior pressão.


