Presidente voltou a defender a divulgação de informações do Caso Master durante discurso em Curitiba
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (12) que o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) deve ser exercido como um “sacerdócio” e que os integrantes da Corte não devem buscar enriquecimento durante o exercício da função. A declaração foi feita durante um discurso em Curitiba (PR).
“Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico, aquilo é um sacerdócio. As pessoas têm que se dedicar. Porque é a Corte Suprema, quando ela toma uma decisão, ninguém pode mudar. As pessoas têm de ter um padrão de comportamento acima da média da sociedade”, afirmou.
A declaração ocorre em meio às divergências entre ministros do STF relacionadas às investigações do Caso Master, que envolve o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Preso, Vorcaro é investigado por suspeitas de fraude bilionária.
Durante o discurso, Lula também voltou a defender a divulgação das informações relacionadas às investigações. Na sexta-feira (11), o presidente do STF, ministro Edson Fachin, determinou a retirada do sigilo dos procedimentos relacionados ao caso.
Lula afirmou que havia conversado com Fachin sobre a necessidade de tornar públicos os processos. Segundo o presidente, o objetivo seria permitir a identificação de todos os envolvidos nas investigações.
“Eu estive com o Fachin e disse que não era possível um cidadão que é um juiz relator (ministro André Mendonça, do STF) ficar soltando matéria pensada, somente sobre o que interessava a ele. Pedi para liberar todo processo. Para saber quem é que está por trás disso”, disse.
Divergências no STF
As divergências entre integrantes do Supremo aumentaram após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
No dia 3 de setembro, Moraes encaminhou a Fachin um despacho no qual apontou possíveis “indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade” na atuação de Mendonça em investigações relacionadas ao Banco Master e a supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Outro ponto de divergência envolveu decisões de Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal. Mendonça havia determinado o afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, enquanto Dino decidiu pela reintegração. Fachin suspendeu as duas decisões na quarta-feira (9).
Na sexta-feira (11), Fachin determinou que Mendonça retirasse, em até 24 horas, o sigilo dos procedimentos relacionados às investigações do Caso Master. No mesmo dia, Mendonça tornou públicos 38 processos ligados ao caso.
Entre os documentos estão investigações relacionadas ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de apurações envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA).
Ao todo, 53 ações relacionadas ao Caso Master estão públicas, considerando os levantamentos de sigilo realizados anteriormente.


