O vínculo entre o governador Elmano de Freitas (PT) e o deputado federal e presidente do União Brasil no Ceará, Moses Rodrigues (União Brasil), se transformou de uma eleição para outra.
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Até o fim de 2024, ano em que aconteceu a última eleição municipal, os dois mantinham uma relação marcada por disputas locais em Sobral, já que eram opostos quanto à preferência, respectivamente, pela ex-governadora Izolda Cela (PSB) e o vencedor do pleito em questão, Oscar Rodrigues (União Brasil), pai se Moses.
Em 2026, Elmano e Moses estão como protagonistas de uma das alianças políticas ramificadas para as eleições deste ano.
Um gesto público de mudança na relação dos dois foi iniciado no segundo semestre de 2025, quando Moses sinalizou apoio a Elmano. Essa ação produziu efeitos tanto na base do governo quanto na organização das forças políticas de Sobral.
O município é historicamente comandado pela família Ferreira Gomes, e atualmente parte dos cinco irmãos é aliada de Elmano – o senador Cid Gomes e a pré-candidata à reeleição à deputada estadual Lia Gomes. Ambos são do PSB.
Os novos contornos aconteceram em novembro do ano passado durante uma agenda de entrega de moradias em Itapipoca.
Na ocasião, o deputado afirmou que permaneceria ao lado de Elmano na disputa pela reeleição neste ano, independente da posição adotada pela Federação União Progressista (Federação UPB).
A promessa de vínculo se estendeu “aos votos” de apoio dos deputados federais Fernanda Pessoa (União) e AJ Albuquerque (PP), além dos prefeitos Roberto Pessoa (PSD), de Maracanaú, e Oscar Rodrigues, de Sobral.
O gesto expôs, pela primeira vez de forma aberta, a divisão política existente dentro da legenda, que se tornou parte da Federação UPB meses depois.
A agremiação é formada pelo partido de Moses, e o Partido Progressistas, presidido no Estado por AJ Albuquerque. O apoio dos deputados federais que acompanharam Moses na ocasião provocou coalizão com a à época deputada federal Dayany Bittencourt (União), hoje candidata novamente à Câmara, e o candidato à reeleição de deputado federal Danilo Forte (União), da ala de oposição a Elmano dentro da agremiação.
No curso dos últimos 10 meses, mês em que se aproximou do governador, Moses tem reiterado publicamente seu vínculo com o Palácio da Abolição.
Os reflexos dessa reconfiguração voltaram a aparecer nos últimos dias, durante a convenção da Federação União Progressista. Embora a agremiação tenha homologado apoio ao ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB), que é adversário direto de Elmano de Freitas, a ala formada por Moses Rodrigues e AJ Albuquerque manteve a posição de apoio à reeleição de Elmano.
A divergência acabou sendo levada ao Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) pelos diretórios estaduais do União Brasil e do Progressistas, que pedem a anulação da decisão da federação.
Ivo, Cid e Ciro
A proximidade de Elmano e Moses, segundo o governador em entrevistas de 2025 para cá, foi construída por meio do diálogo e contou com o aval do senador Cid.
Segundo o governador, o tema foi tratado com o parlamentar, que considerou que os interesses do Estado deveriam prevalecer sobre a disputa política existente no município.
A avaliação, de acordo com o gestor estadual, foi decisiva para permitir a aproximação entre o Palácio da Abolição e um grupo que, até então, figurava entre os principais adversários dos aliados históricos do governo na região Norte.
A posição, entretanto, não foi compartilhada por todo o grupo político dos Ferreira Gomes. No início deste ano, o ex-prefeito de Sobral Ivo Gomes (PSB) afirmou não se considerar mais comprometido com a reeleição de Elmano.
Ivo tem, assim como a irmã Lia Gomes, embates diretos com Oscar. Em setembro de 2025, o ex-gestor municipal chegou a acusar o prefeito de perseguição política ao dizer que Oscar havia mobilizado sua base aliada na Câmara dos Vereadores de Sobral para desaprovar as contas do irmão de Ciro e Cid.
Ao justificar o distanciamento de Elmano, atribuiu a decisão à aproximação do governador com o grupo de Moses e criticou o que classificou como “dois pesos e duas medidas”, em referência a critérios distintos para avaliar alianças políticas envolvendo adversários locais.


