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Grupo que forjava vaquinhas com fotos de crianças doentes é alvo da polícia

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul faz uma operação contra um grupo suspeito de criar campanhas falsas de doação na internet usando imagens de crianças com câncer. Os mandados são cumpridos no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco, com apoio das polícias civis desses estados.- Publicidade –

A ação, batizada de Operação Sophia, cumpre 19 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. Até a última atualização desta reportagem, 12 pessoas haviam sido presas.

Investigação aponta que o grupo usava anúncios pagos no Facebook e no Instagram para atrair doadores. Segundo a Polícia Civil, páginas falsas com nomes como “Clube de Doadores”, “Doadores com Amor” e “Unidos pelo Amor” impulsionavam publicações e levavam a vítima a sites também falsos.

Golpistas teriam copiado o visual de plataformas legítimas de arrecadação para simular campanhas reais. De acordo com a polícia, as páginas imitavam especialmente a aparência do site Vakinha e geravam QR Code e Pix copia e cola para direcionar o dinheiro a contas e empresas usadas pelo esquema.

Apuração indica uso de empresas de fachada e intermediadoras de pagamento para dificultar o rastreamento. A Polícia Civil afirma que o grupo também recorria a domínios registrados no exterior e mecanismos de camuflagem de sites e contas em redes sociais.

Operação busca apreender celulares, computadores e documentos ligados à estrutura digital e financeira do esquema. A polícia diz que também procura por registros de acesso, credenciais e arquivos de sites, além de cartões bancários e contratos sociais.

Fraude investigada usava indevidamente imagens, vídeos e histórias reais de pessoas em situação de vulnerabilidade. O foco eram crianças em tratamento de doenças graves, para explorar a comoção e induzir vítimas a fazer doações.

Caso que originou o inquérito envolveu uma criança em tratamento contra câncer. A polícia afirma que a família não autorizou a campanha e não recebeu os valores arrecadados.

Investigadores apontam que o grupo tinha divisão de tarefas e usava tecnologia para sofisticar as fraudes. Há indícios de uso de inteligência artificial, deepfake e clonagem de voz, além de ferramentas para manipular áudio e vídeo e remover metadados.

Polícia Civil diz ter rastreado ao menos R$ 294,5 mil ligados à campanha falsa que deu início à investigação. A corporação afirma que encontrou movimentações maiores em contas e empresas usadas pela organização, incluindo uma empresa apontada como hub financeiro que teria movimentado mais de R$ 1,7 milhão no período investigado.

Nome da operação faz referência à criança que teve a imagem usada indevidamente nas campanhas. Segundo a polícia, Sophia simboliza o ponto de partida da apuração e a exploração da solidariedade pública para dar aparência beneficente aos golpes.

Polícia orienta cautela antes de doar pela internet e recomenda checar se a campanha é oficial. A corporação sugere confirmar dados diretamente com a família ou instituição responsável, desconfiar de publicações impulsionadas com forte apelo emocional e verificar se o destinatário do Pix é a pessoa ou entidade beneficiária.

(Folhapress)

Fonte Matéria

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