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Escalada entre EUA e Irã ameaça navegação e amplia tensão no Golfo

Forças dos Estados Unidos e do Irã intensificaram a troca de ataques com mísseis e drones neste fim de semana, ampliando a instabilidade no Golfo Pérsico e colocando novamente em risco a circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz. Nesse domingo (12/07), Teerã anunciou o fechamento da passagem estratégica e lançou ofensivas contra instalações norte-americanas em diferentes países da região.
Os ataques iranianos atingiram ou mobilizaram sistemas de defesa no Catar, nos Emirados Árabes Unidos, no Barein, na Jordânia, no Kuwait e em Omã. O Catar, que participava das negociações para encerrar o conflito, informou que três pessoas, entre elas uma criança, ficaram feridas por estilhaços. O governo catariano responsabilizou juridicamente o Irã pela ofensiva e já havia advertido que não poderia continuar atuando como mediador enquanto permanecesse sob ataque.
Nos Emirados Árabes Unidos, as autoridades afirmaram que as defesas aéreas interceptaram mísseis e drones lançados a partir do território iraniano. O Barein também relatou a interceptação de ataques aéreos, enquanto Jordânia e Omã registraram ofensivas com mísseis e drones. O governo omanense convocou o embaixador iraniano para protestar contra as ações e a representação diplomática dos Estados Unidos orientou cidadãos em áreas consideradas de risco a permanecerem em locais protegidos.
A nova escalada compromete o acordo provisório firmado no mês passado entre Washington e Teerã. O entendimento previa uma trégua de 60 dias, a retomada gradual da navegação comercial pelo Estreito de Ormuz e a continuidade das negociações para um acordo definitivo. Na semana passada, porém, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que considerava o cessar-fogo encerrado, embora tenha admitido a possibilidade de novas conversas.
O conflito teve início em 28 de fevereiro, com ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. Desde então, a guerra desestabilizou países do Golfo, atingiu instalações militares e comerciais e prejudicou o transporte de petróleo e gás natural liquefeito. O bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz provocou aumento nos preços da energia e ampliou as preocupações com a inflação mundial.
Antes da guerra, aproximadamente 20% dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito passavam pelo estreito. O Irã busca obter reconhecimento internacional de sua autoridade sobre a navegação na região e pretende estabelecer um sistema permanente de cobrança de taxas das embarcações que utilizam a passagem. Teerã já advertiu que navios não devem circular sem autorização iraniana.
No sábado (11), autoridades iranianas anunciaram o fechamento da rota após um disparo de advertência atingir uma embarcação que, segundo Teerã, utilizava um trajeto não autorizado. No domingo, o país afirmou ter imobilizado um segundo navio. Um tripulante indiano permanecia desaparecido após o ataque ao porta-contêineres GFS Galaxy, próximo à costa de Omã, enquanto outros 23 integrantes da tripulação foram resgatados.

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