O ex-ministro e pré-candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), voltou a evitar confronto direto com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro após as críticas feitas por ela à aproximação de setores do PL cearense com o projeto político do tucano no Estado.
Durante passagem pela PEC Brasil, feira do setor agropecuário realizada em Fortaleza nesta quinta-feira (25/6), Ciro foi questionado pela imprensa sobre o vídeo publicado por Michelle nas redes sociais. O ex-governador foi lacônico e procurou afastar a crise do debate local.
“Eu juro que não vi o vídeo e não vou ver. É uma questão do PL Nacional e envolve coisas muito mais complexas que a nossa paróquia. Sigo aqui tranquilo porque o eixo do nosso entendimento é um projeto de emancipação do Ceará, que está sendo muito maltratado”, afirmou Ciro.
A declaração ocorre em meio ao desgaste provocado pelas falas de Michelle, que criticou duramente a possibilidade de aliança entre o PL no Ceará e Ciro Gomes. A ex-primeira-dama defendeu uma candidatura de direita no primeiro turno, liderada pelo senador Eduardo Girão, e reforçou apoio à deputada federal Priscila Costa para o Senado.
O movimento de Michelle atinge diretamente a articulação de parte da direita cearense que trabalha por uma composição com Ciro. Ao mesmo tempo, expõe a divisão interna no campo conservador, onde Eduardo Girão tenta manter viva uma candidatura própria, enquanto outra ala busca construir uma estratégia eleitoral mais ampla contra o grupo governista.
Ciro tem razão quando afirma que a crise do PL ultrapassa a “paróquia” cearense. A disputa envolve o comando nacional do bolsonarismo, o papel político de Michelle Bolsonaro, os interesses de Flávio Bolsonaro e o reposicionamento das forças da direita para 2026.
Mas a crise nacional também tem efeitos locais. No Ceará, a resistência de Michelle pressiona o PL, constrange aliados e coloca em xeque a tentativa de apresentar a aliança com Ciro como um caminho natural para o campo conservador.
Ao evitar responder diretamente, Ciro tenta reduzir o impacto da polêmica e manter o foco no discurso de construção de um projeto para o Ceará. A estratégia, porém, não elimina o problema político: Michelle Bolsonaro se tornou uma voz incômoda dentro do próprio campo que parte do PL tenta levar para a aliança com o tucano.
Resta saber até quando Ciro Gomes conseguirá ignorar Michelle Bolsonaro. A crise que começou nos bastidores do PL Nacional já entrou no cenário cearense e deve continuar produzindo novos desdobramentos na disputa pelo Governo do Ceará.


