Dos 760,1 mil participantes da primeira edição da Prova Nacional Docente (PND), realizada pelo Ministério da Educação (MEC), 35% não conseguiram atingir a proficiência básica no exame. Esse percentual representa 266 mil professores com desempenho insuficiente. A situação é mais grave em Matemática, área em que mais da metade dos candidatos não tiveram desempenho considerado básico.Os dados da PND, também chamada de Enem dos Professores, foram divulgados, nessa quarta-feira (20) pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini. O exame possibilita que as redes de ensino utilizem os resultados em seus processos seletivos.A primeira avaliação da PND foi aplicada em outubro do ano passado. A prova foi lançada pelo governo Lula (PT) dentro de um pacote de medidas para melhorar a qualidade da formação e seleção de docentes no país e, consequentemente, o aprendizado dos estudantes brasileiros.A prova é a mesma feita pelos estudantes concluintes de licenciaturas no Enade, cujos resultados também foram divulgados ontem. Eles podem, inclusive, participar da avaliação já com interesse em participar da PND. No ano passado, 82.907 concluintes fizeram o exame já inscritos na PND. O desempenho deles foi pior do que o do público já formado: 42% não atingiram proficiência básica no exame.São considerados com proficiência básica os participantes com desempenho igual ou maior que 70 pontos na escala de cada área da prova (formação geral e componente específico de cada área). Esses parâmetros foram criados com o Enade das Licenciaturas, em linha com a PND.Enquanto os professores da área de Matemática têm os piores resultados, os profissionais de ciências humanas vão melhor, e somente 20% não alcançaram os parâmetros considerados mínimos. O MEC e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que realiza o exame, determinaram dois padrões de proficiências. Na divulgação dos resultados, foram considerados o alcance desses dois padrões como o básico (desempenho igual ou maior que 70 pontos na escala de cada área da prova).EADOs resultados de 2025 da avaliação federal sobre a formação de professores mostram que a fragilidade dos cursos a distância (EaD) é maior nas áreas em que há mais necessidade e importância na educação básica: Matemática e Letras (Português-Inglês)., No total, sete em cada dez formados no ano passado em cursos de licenciatura EaD nessas duas áreas, a grande maioria em instituições privadas, não conseguiram desempenho acima do básico, de acordo com os dados do Enade das Licenciaturas do ano passado.Os resultados de Letras (Português-Inglês) e de Matemática no EaD, ambos com apenas 33% dos concluintes acima do básico, são os piores entre 16 áreas de formação tradicionais (somente as licenciaturas em música tiveram desempenho inferior, mas têm poucos concluintes). Na média de todas as áreas, 47% dos 116.982 concluintes que fizeram a prova conseguiram ficar acima do considerado básico pelo MEC. Entre os cursos presenciais, a média acima do básico foi de 74% dos 79.077 concluintes que fizeram a prova.


