As Eleições 2026 começam a ganhar definições no Ceará. No próximo sábado (16), Ciro Gomes (PSDB) vai confirmar sua pré-candidatura ao Governo do Estado, conforme publicou em primeira mão O Estado CE na última sexta-feira (8) a partir de informações de integrantes da cúpula oposicionista.
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O presidente estadual da legenda tucana recebeu no mês passado o convite do presidente nacional da sigla, deputado federal Aécio Neves, para ser presidenciável.
A deliberação vai ao encontro do que vem sendo costurado nos últimos meses entre PSDB, parte do União Brasil (UB) e PL. No caso do UB, a oposição está reunida eleitoralmente em torno da Federação União Progressista (Federação UPB), que considera UB e PP.
As movimentações na base do governador ainda são sutilmente organizadas, mas afunilaram sobre, por exemplo, os nomes dos partidos que, de fato, devem compor a chapa majoritária: PT, PSB, MDB, PSD e Republicanos.
Na semana passada, o senador Camilo Santana (PT), ao lado do governador Elmano de Freitas (PT) o principal líder político local de sua legenda, apontou os quatro partidos, ao lado do seu, como integrantes do núcleo-duro que vai dividir cabeça e vice de chapa ao Palácio da Abolição, bem como indicações ao Senado.
O ex-ministro da Educação chegou a citar nominalmente Eunício Oliveira, presidente do MDB, e o senador Cid Gomes (PSB), sugerindo, com a fala, prioridade para a disputa que vai às urnas por cadeiras senatoriais.
Na semana passada, um dos líderes locais do PSB afirmou ao O Estado CE, sob reserva, que “Tudo indica que Eunício vai concorrer ao Senado na chapa”. Entre março e abril deste ano, este jornal conversou com fontes do MDB, que defenderam “gratidão” por parte de Camilo e Elmano, pelo apoio dado por Eunício na construção da chapa em 2022.
No caso de Cid, ambos os petistas vêm defendendo que o parlamentar tem autoridade para escolher com qual indicação quer ficar. Na semana passada, em coletivas de imprensa diversas, Elmano e Camilo defenderam o capital político de liderança de Cid. Camilo, no entanto, diz insistir para que Cid concorra à reeleição.
Vice na oposição
Na oposição, que passou as últimas semanas à espera de sinalizações de Ciro – apesar de contar que o tucano levaria “os planos pelo Estado do Ceará à frente”, expressão que tem sido recorrente entre PSDB, Federação UPB e PL – há também indefinição sobre o posto de vice, mas cresceu a expectativa de que a colocação vai ficar com o ex-prefeito Roberto Cláudio, segundo apurou a reportagem junto a um integrante do “alto escalão” das negociações. RC é presidente do UB Fortaleza.
Líder do PSDB na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), o deputado estadual Cláudio Pinho afirmou na última terça-feira (5) que havia dissidência sobre se RC seria candidato à Câmara dos Deputados ou à vice na chapa majoritária.
Caso o dueto Ciro-RC se consolide para este pleito, pode ser um indício de que haverá uma “sucessão natural” na eleição seguinte, ou seja, Roberto Cláudio, elogiado publicamente pelo ex-senador Tasso Jereissati (PSDB) no mês passado, concorrer como cabeça de chapa em 2030.
A especulação, contudo, não é tratada oficialmente nas negociações em curso, bem como um eventual apoio caso o deputado federal André Fernandes, presidente do PL Ceará, decida concorrer, em 2028, à Prefeitura de Fortaleza novamente.
O parlamentar foi vencido em 2024 pelo prefeito Evandro Leitão (PT) por uma diferença de cerca de dez mil votos. Em abril, fontes do PSDB e da Federação UPB afirmaram ao O Estado CE que, pelo menos por ora, não há sinalização de apoio ao PL para eleições municipais e que a negociação atual envolve “apenas o nome de Alcides Fernandes ao Senado”.
Alcides Fernandes (PL) é deputado estadual e, conforme a líder do PL na Alece, Dra. Silvana, consenso “absoluto” internamente para ser indicado pela aliança que deve se consolidar. Também na semana passada, Alcides afirmou mais de uma vez que a oficialização em torno do nome de Ciro, por parte do PL, aguarda que o tucano afirme publicamente que vai concorrer ao Governo do Estado.
Outra expectativa, conforme a bancada da Alece eleita pelo partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, o PL, a vinda de Flávio Bolsonaro (PL) se torna mais factível com o nome de Ciro desenhado como candidato local.
Como mostrou este jornal no último dia 8, Alcides e Dra Silvana afirmaram que, apesar do silêncio entre PSDB e PL, o apoio mútuo está mantido. A deputada estadual chegou a criticar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) por ataques, ainda que enviesados, a Ciro Gomes.
“A primeira-dama contrariando o que disse o próprio esposo dela, que é quem a gente politicamente segue. Então aqui, no Estado do Ceará, a leitura é PL para o Ciro Ferreira Gomes”.
Entre PSDB e Federação UPB, um acordo durante a janela partidária levou à composição que considera, contabilizando pessoas com mandatos, os filiados ao PSDB como pré-candidatos à reeleição à Alece e os filiados ao UB como pré-candidatos à Câmara.
Há também nomes sem mandato que vão concorrer ao pleito de outubro, a exemplo do ex-prefeito da Capital, José Sarto (PSDB), que anunciou sua pré-candidatura a deputado federal e tem participado pouco dos encontros de definição da majoritária oposicionista. Sarto é presidente do PSDB Fortaleza.
“Ciro + bolsonaristas”
Tanto Camilo quanto Elmano, além de líderes como o presidente da Alece, Romeu Aldigueri (PSB), em falas na semana passada, sinalizaram que a construção discursiva da campanha vai focar no cenário que envolve a união entre seus ex-aliados e bolsonaristas, apontando o que consideram ser “oportunismo”.
Presidente da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFOR), o vereador Leo Couto, em entrevista ao O Estado CE em fevereiro, defendeu que a aliança posta por ex-aliados de seu grupo e o PL se dava por conveniência.
Entre os integrantes da base é unânime o argumento de que em 2022 não houve cumprimento por parte dos à época PDTs de escolherem internamente o nome da ex-governadora Izolda Cela (PSB) para a reeleição.
O caso foi o estopim para que o racha entre os grupos Ciro-RC e Camilo-Cid fosse iniciado oficialmente, o que dura até hoje com uma disputa que se dá, sobretudo, em torno da busca da reeleição do governador Elmano.


