Nome de confiança de José Guimarães (PT), o deputado estadual De Assis Diniz (PT) falou que o líder sindical rural Raimundo Martins (PT) é quem vai “herdar” o mandato de deputado federal do agora ministro de Relações Institucionais.
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Ao aceitar o convite do presidente Lula (PT) para comandar a pasta no governo federal, Guimarães ficou impedido de concorrer nas eleições de 2026. O petista deixa uma base eleitoral ampla, com força no interior do Ceará. Na última eleição geral, em 2022, Guimarães foi o sexto deputado federal mais votado do estado e recebeu mais de 186 mil votos.
O PT estadual já vinha se preparando para montar a chapa de candidatos à Câmara dos Deputados sem o agora ministro, até porque Guimarães pretendia inicialmente concorrer ao Senado. Raimundo Martins já era colocado como o seu sucessor na Câmara pelo Campo Democrático, grupo do PT Ceará liderado por Guimarães.
Ele (Guimarães) tem a necessidade de ter a preservação do mandato, que será na pessoa do companheiro orgânico do Campo Democrático, companheiro Raimundo Martins
De Assis Diniz, deputado estadual
Segundo De Assis, também membro do Campo Democrático, Martins é a prioridade do grupo e a transferência de votos deve ser “orgânica”.
“O candidato dele (de Guimarães) chama-se Raimundo Martins. A votação orgânica para deputado federal do Guimarães vai para o Raimundo Martins. Podemos aqui ou acolá ver ajuda para um ou outro, podemos, mas nós vamos primeiro garantir que o mandato do Guimarães seja renovado agora na pessoa do Raimundo Martins, que é o nosso pré-candidato a deputado federal”, falou De Assis em entrevista para O Estado nessa quinta-feira (16).
Com histórico no movimento sindical, Raimundo Martins é atualmente vice-presidente do PT Ceará. Ele já foi presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Ceará (Fetraece) e vice-prefeito de Tamboril.
TRANSFERÊNCIA DE VOTOS NA ELEIÇÃO DO SENADO
Sobre a eleição para o Senado, De Assis evitou apontar para onde devem ir os votos de Guimarães. O deputado apontou que ainda não há definição sobre o assunto: “Vamos esperar para definir. Tem muita água para passar na ponte”.
Questionado sobre quem, entre os pré-candidatos ao Senado no cenário atual, seria mais beneficiado com a saída de Guimarães da disputa, De Assis falou que a definição caberá às principais lideranças do PT, citando o presidente Lula, o senador Camilo Santana, o governador Elmano de Freitas e o presidente do PT no Ceará, Antônio Filho, o Conin.
“Então, Lula, Camilo, Elmano, o presidente do PT, Conin, eles vão delinear qual é a chapa forte, qual é a chapa que permitirá, no dia 4 de outubro, estarmos celebrando a vitória em primeiro turno do governador Elmano, do presidente Lula, dos nossos senadores e eu quero estar lá também como deputado estadual”.
Ainda em sua pré-campanha ao Senado, Guimarães já alfinetou outros concorrentes na corrida pela Câmara Alta. O petista defendeu lealdade ao presidente Lula como critério para escolha dos dois nomes ao Senado na chapa à reeleição do governador Elmano de Freitas no Ceará. Guimarães até chegou a sugerir uma chapa com ele próprio e o deputado federal Eunício Oliveira (MDB).
O Guimarães é do PT. Ao longo de 40 anos, sempre votou no PT. Então, não tem voto fora do PT.
Ela (Luizianne) pode ser do campo da esquerda, mas não é do PT.De Assis Diniz, deputado estadual
Com Guimarães fora da lista de pretendentes ao Senado, alguns setores mais ideológicos do PT têm defendido que o nome mais “orgânico” para a esquerda no Ceará seria o da deputada federal Luizianne Lins, que agora está na Rede Sustentabilidade. A ex-petista, inclusive, agora é citada pelo governador Elmano quando lista os pré-candidatos ao Senado aliados.
Apesar de elogiar a ex-prefeita de Fortaleza e admitir as afinidades ideológicas, De Assis descartou a ideia de que votos da base de Guimarães e/ou do PT possam ser deslocados para uma possível candidatura de Luizianne ao Senado.
“O Guimarães é do PT, sempre votou no PT. Então, não tem voto fora do PT. Pode ser do campo da esquerda, mas não é do PT. Se ela (Luizianne) quisesse manter a preservação, ela estaria no PT e teria os votos do PT. Ela saiu para um partido de esquerda, é um aliado, mas não é o 13. Então, os votos que nós temos, queremos e vamos manter é com a orientação do 13”.


