O deputado federal José Guimarães (PT-CE) será o novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais no governo do presidente Lula (PT). O parlamentar cearense toma posse no cargo na próxima terça-feira (14). Guimarães anunciou a novidade pelas redes sociais no sábado (11) e surpreendeu porque a entrada dele no governo significa que ele estará de fora das eleições de 2026 em razão das regras de desincompatibilização.
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A decisão ocorreu após convite direto do presidente Lula, informou Guimarães. “A convite do presidente Lula, informo que aceitei a missão e na próxima terça-feira (14), tomo posse como ministro da Secretaria de Relações Institucionais em substituição da ex-ministra Gleisi Hoffmann”, anunciou.
Guimarães substituirá Gleisi Hoffmann (PT), que deixou a pasta para tentar uma vaga no Senado pelo Paraná. O cearense passará a desempenhar agora uma das funções políticas mais importantes no governo federal.
A Secretaria de Relações Institucionais (SRI) cuida da coordenação política do governo. Está entre as suas atribuições a condução do relacionamento com o Congresso Nacional e os Partidos Políticos; a interlocução com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; a coordenação e secretariado do funcionamento do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). O chefe da SRI tem status de ministro de Estado. A pasta também articula acordos com deputados e senadores e é responsável pela liberação de emendas parlamentares.
Deputado federal no quinto mandato, José Guimarães já desempenhava papel importante na articulação do governo com o Legislativo como líder do presidente Lula na Câmara dos Deputados.
DESISTÊNCIA DE CANDIDATURA AO SENADO
A entrada de Guimarães no Governo Lula representa um recuo do cearense que até poucos dias reafirmava a intenção de disputar o Senado nas eleições deste ano, mesmo com os impasses para que ele pudesse estar em uma das duas vagas de senador na chapa liderada pelo PT no Ceará.
Devido às regras de desincompatibilização, ao assumir o cargo de chefe da SRI, Guimarães fica impedido de concorrer a um cargo eletivo no pleito de 2026. Pelas regras eleitorais, os possíveis candidatos tinham de deixar cargos na administração pública até o último dia 4 de abril, seis meses antes da votação.
Desde 2025, Guimarães vinha atuando e mobilizando sua militância no sentido de fortalecer seu nome para a disputa pelo Senado e contava com apoio de parte considerável do partido no estado.
Sinalizando não recuar, Guimarães chegou inclusive a mencionar que já havia recebido convite para o cargo que irá ocupar agora, por meio de um “interlocutor” do presidente. “Aí eu disse, eu quero continuar em Brasília, mas eu quero, presidente, continuar no Senado para ser seu porta-voz como eu sou na Câmara”, disse o deputado durante um ato político em março, no Ceará.
No entanto, declarações de Lula de quando ele esteve no Ceará, no início de abril, incluíram recados apontando que o PT precisaria contemplar os partidos aliados na chapa que deve ser liderada pelo governador Elmano de Freitas (PT), falando na necessidade de fazer “sacrifício” pelas alianças políticas. “O PT que quer construir a aliança precisa dividir com os outros partidos essa formação da chapa. Senão, fica uma coisa desarrumada e não dá certo”, falou o presidente em entrevista à TV Cidade.
Na época, as declarações de Lula foram vistas como um recado para Guimarães e para a deputada federal Luizianne Lins. Também pré-candidata ao Senado, ela acabou deixando o partido e se filiou à Rede Sustentabilidade no dia seguinte às falas do presidente sobre a política do Ceará.
Com uma ampla base aliada, o PT cearense analisa como contemplar os partidos na sua chapa majoritária, que inclui as vagas de senador e vice-governador.


