Presidente estadual do PSDB, Ciro Gomes afirmou à imprensa, na manhã deste sábado (4), que o Ceará precisa de uma resposta para problemas extremamente graves e complexos quando questionado sobre os indicativos que o fazem mirar uma oficialização de candidatura para este mês. Minutos antes, ao O Estado CE, o ex-governador do Ceará havia afirmado “ser possível” que sua candidatura para concorrer novamente ao cargo seja oficializada ainda em abril.
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“E eu tinha me dedicado a essa construção da condição prática de operar uma comunicação com o povo, mas agora preciso aprofundar, pelo menos, uma diretriz básica para uma uma ruptura na questão da violência, da segurança, do enfrentamento das facções criminosas, porque hoje o território do Ceará não nos pertence”
As declarações do tucano foram feitas em coletiva de imprensa durante o Fórum RT360, que teve início nesta sexta-feira (3) e se encerra neste sábado (4). Durante a conversa, Ciro Gomes também relacionou o ex-prefeito Bebeto do Choró, suspeito em inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) com relatório apresentado pela Polícia Federal (PF) de ser chefe de um esquema de compra de votos e desvio de verbas públicas no Ceará, “virou símbolo” de corrupção, ligando o nome de Bebeto ao do pai de Camilo Santana, presidente estadual do PSB.
“Hoje, quem domina o território do Ceará são as facções criminosas e o crime organizado […] E em cima uma conexão com a política constrangedora. Ou seja, o Bebeto do choro que virou símbolo disso é até hoje do PSB, partido presidido pelo Eduardo Santana. E as pessoas precisam entender que não será fácil, mas vou para cima. Se eu for candidato é para resolver essa parada”.
“Então, até abril, que é este mês agora, eu estou juntando pessoas daqui e de fora do Brasil, formando um primeiro conceito. Também há problemas complicadíssimos na área de saúde pública […] A saúde pública é um caos completo no estado do Ceará. A rede de saúde entregue a politiqueiros […] [E o que eu tenho que resolver. E para resolver isso tenho que ter humildade, maturidade, paciência, dialogar com diferentes. E é o que eu estou fazendo”.
Críticas a Camilo
Ciro voltou a criticar o ex-ministro da Educação e seu adversário político Camilo Santana (PT), afirmando que o também ex-governador do Estado faz parte de um grupo que “comprou o PDT”, antigo partido de Ciro, citou o termo “liquidação do PDT” e que esse teria sido uma das razões para que se encaminhasse ao PSDB, partido ao qual já havia sido filiado.
“Como eles não terão jamais capacidade de comprar o PSDB, cuja liderança é o senador Tasso Jereissati, eles partiram para a crença de que, se eles me impedissem de fazer alianças, eu também não teria essa condição de ser candidato”.
Ciro chamou a disputa pelo apoio da Federação União Progressista de “suja” com a finalidade de impedir que o União Brasil e a Federação UP” apoiem-no. Abril, segundo o pré-candidato, é também o mês que as demais candidaturas – estaduais, federais, vice e senador, estarão definidas.
“Eu gostaria que o Roberto [Cláudio] fosse vice de uma chapa que eventualmente eu possa ocupar ou ele ser o candidato. Estou falando do que penso, não o que vai ser. O que vai ser vamos anunciar com toda a transparência logo mais”.
“PSDB fortalecido”
O PSDB é o partido que menos teve baixas na Câmara dos Deputados no período da janela partidária. A legenda no entanto passou a última década amargando perdas.
Acerca da aparente retomada de força da sigla tucana, Ciro argumentou que o PSDB “que “passou por grandes terremotos” e que o “mais grave deles foi a usurpação do PSDB de São Paulo pelo [praticada por João] Dória”, citando também o conflito, em 2022 entre Doria e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, hoje no PSD. “Tudo isso tá sendo hoje superado, porque causou-se um prejuízo muito grande numa excelente ideia”.
Ciro apontou sua legenda como uma agremiação preocupada “com a miséria, com a pobreza, com a superação da desigualdade”, porém com um “olho claro na austeridade das contas do governo, no no combate à corrupção e na eficiência econômica do desenvolvimento estrangulado do Brasil. Ora, isso somos nós”.
Questionado sobre falas do presidente Lula (PT) na última quarta-feira (1º) em agenda no Ceará, ocasião em que teceu elogios a Ciro, mas também críticas, como chamando-o de “destemperado”, o ex-ministro do presidente da República evitou responder e se limitou a falar “Eu fico com os elogios”.


