Israel confirmou nesta sexta-feira, 3, que prendeu o diretor de um hospital de Gaza, Hussam Abu Safiya, para investigação.
Anteriormente, Tel Aviv disse para uma ONG local que desconhecia seu caso, o que gerou preocupação sobre seu bem-estar.
Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que o médico está “atualmente sendo investigado pelas forças de segurança israelenses”.
No entanto, não ofereceram explicações sobre a aparente contradição, reiterando que ele é suspeito de ser um “terrorista” e de possuir uma posição de liderança no Hamas, o grupo armado palestino em conflito com Israel em Gaza.
A prisão ocorreu na última sexta-feira, quando o exército israelense ordenou que pacientes e funcionários deixassem o hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza, alegando que a instalação era um “reduto terrorista do Hamas”.
Na quinta-feira, o IDF havia comunicado à ONG Médicos pelos Direitos Humanos de Israel que não tinha “indicação da prisão ou detenção do indivíduo em questão”.
Em resposta, a ONG apresentou uma petição ao Tribunal Superior de Justiça de Israel, exigindo a divulgação da localização de Safiya. O tribunal deu uma semana para que a IDF forneça as informações solicitadas.
Enquanto isso, Agnès Callamard, chefe da Anistia Internacional, pediu que as autoridades israelenses “revelassem urgentemente o paradeiro” do médico.
Ela afirmou que Israel deteve “centenas de profissionais de saúde palestinos de Gaza sem acusações formais ou julgamento”, alegando que muitos foram “submetidos a tortura, maus-tratos e mantidos em isolamento”.
Israel nega as alegações de maus-tratos a detidos.
A família de Safiya informou à rede britânica BBC que acredita que ele está sendo mantido na base militar de Sde Teiman, no sul de Israel, onde muitos detidos de Gaza são interrogados
. Relatos de denunciantes indicam condições extremamente severas para os detidos nesse local. Israel, por sua vez, afirma que todos os detidos recebem tratamento “adequado e cuidadoso”.
Na sexta-feira passada, o IDF ordenou que todos no hospital Kamal Adwan saíssem, concedendo cerca de 15 minutos para que pacientes e funcionários fossem levados ao pátio, segundo relatos da equipe médica à BBC.
Beit Lahia, onde o hospital está localizado, está sob um bloqueio cada vez mais rígido imposto por Israel desde outubro. A ONU descreveu a área como estando sob “cerco quase total”, com acesso severamente restrito a ajuda humanitária, afetando cerca de 10.000 a 15.000 pessoas que permanecem na região.


